terça-feira, 19 de janeiro de 2010

Em memória de Mateus

Os pássaros voavam livres, cantavam num tom suave e solto naquela manhã, e eu caminhava para fora desta cidade, a tentar fugir da confusão, dos distúrbios sonoros com que me deparava à já vários anos. Caminhava em busca de uma paz interior que naquele momento não se sentia, em busca de uma diversão que à muito não se via, então assim eu estava, neste estado eu dali fugia. Não sabia o que me esperava também nem sabia para o que partia. As promessas que eu tinha feito até então tinham perdido por completo a sua razão de existir...já nada contava, nada do que até então se viveu existia agora. Muitas das coisas que sei hoje aprendi ao ter saído desta cidade durante aquele tempo...
Como se num mundo à parte eu tivesse entrado ao sair desta cidade que hoje volta a ser minha. Passaram-se dias, meses, anos também se contaram até que um dia, a memória me faltou, e não me consegui lembrar do rosto de Mateus, apenas e só em mim me recordava do quanto o amei. E ameio por muito tempo e sempre, para sempre. Ameio quando tudo parecia desabar sobre mim e me senti sem soluções, ameio quando um dia de sol me irradiava do vidro e o mundo me cabia nas mãos, ameio nas minhas lágrimas e nos meus sorrisos, na gargalhada mais sonora também o amei.
As pessoas que hoje passam por mim são outras. A chuva nesta altura é mais abafada do que nesse inverno, lembras-te desse inverno?
Lembro-me que a seguir a essa chuva veio aquele frio de primavera, estava tanto frio naquela altura, consegues lembrar? Eu lembro-me.
E hoje? hoje Consigo ver-te na minha cabeça a falares para mim mas não te consigo ouvir, por muito que me esforce a tua voz à muito que se foi de mim e eu hoje sou difícil de exprimir.

terça-feira, 19 de maio de 2009

E Eu?

Eu depois de tanta busca encontrei, mas encontrei de uma forma diferente, ao principio nem percebi depois vi-me ali presa para sempre. Ininterruptamente numa via só, sem paralelas ou ortogonais caminhando de frente para o sol ofuscando-me no horizonte alem longínquo. Eu nunca disse que ficava, jamais pude ficar! Eu nunca disse que queria ficar, não deu tempo! Eu pensei em ficar! Eu pensei em dizer que desejava ficar!
Idolatrei uma imagem a uma lembrança passada, fiz-me feita de um psicológico monstro e magoei quanto pude, Mas eu não era assim! De uma Experiência sem saber…um resultado nada previsível, resulta uma consequência jamais prévia. Fiz-me o que sou hoje mas que nunca pensara, já não tenho monstros mas mantenho as mil caras.
Já foi à muito tempo a ultima vez que quis olhar para trás. Desde a ultima que olhei e nada vi, senti que o sentido que achava em mim quando o fazia se tinha perdido a quando dessa vez quis olhei e nada tinha visto. Então deixei de olhar nessa perspectiva, hoje só olho em frente e mesmo de frente nem sempre vejo com clareza aquilo que está mesmo ali, a vida ficou diferente porque um dia olhei e não te vi. Senti que a base de cimento que me sustentava naquele momento se estava a desvanecer, que o tempo tinha parado e que pouco havia a fazer. Recozei-me a aceitar, lutei contra todos, perdi muitos desses e hoje só não estou só porque quis entender que ao olhar para trás não te vi…porque não tinha que acontecer!
Então hoje Tento fazer das lembranças – lembranças, das recordações - passado e do eterno olhar algo passageiro. Tento ir contra mim mesma, ir de encontra as muitas respostas para a mesma pergunta e escolher uma direcção plausível. Mas não penso sempre da mesma forma, não estruturo pensamentos baseados nos mesmos factos e um dia estarei velha. Velha como nunca tinha sido, relembrando tu e eu em aqueles tempos de juventude. Por muito velha que me torne, por demais que a memória me irá faltar sempre que eu fechar os olhos ver-te-ei, verei o vento passando veloz por ti, a luz do sol em teus olhos e é como se eternamente estarás a olhar para mim.