Os pássaros voavam livres, cantavam num tom suave e solto naquela manhã, e eu caminhava para fora desta cidade, a tentar fugir da confusão, dos distúrbios sonoros com que me deparava à já vários anos. Caminhava em busca de uma paz interior que naquele momento não se sentia, em busca de uma diversão que à muito não se via, então assim eu estava, neste estado eu dali fugia. Não sabia o que me esperava também nem sabia para o que partia. As promessas que eu tinha feito até então tinham perdido por completo a sua razão de existir...já nada contava, nada do que até então se viveu existia agora. Muitas das coisas que sei hoje aprendi ao ter saído desta cidade durante aquele tempo...
Como se num mundo à parte eu tivesse entrado ao sair desta cidade que hoje volta a ser minha. Passaram-se dias, meses, anos também se contaram até que um dia, a memória me faltou, e não me consegui lembrar do rosto de Mateus, apenas e só em mim me recordava do quanto o amei. E ameio por muito tempo e sempre, para sempre. Ameio quando tudo parecia desabar sobre mim e me senti sem soluções, ameio quando um dia de sol me irradiava do vidro e o mundo me cabia nas mãos, ameio nas minhas lágrimas e nos meus sorrisos, na gargalhada mais sonora também o amei.
As pessoas que hoje passam por mim são outras. A chuva nesta altura é mais abafada do que nesse inverno, lembras-te desse inverno?
Lembro-me que a seguir a essa chuva veio aquele frio de primavera, estava tanto frio naquela altura, consegues lembrar? Eu lembro-me.
E hoje? hoje Consigo ver-te na minha cabeça a falares para mim mas não te consigo ouvir, por muito que me esforce a tua voz à muito que se foi de mim e eu hoje sou difícil de exprimir.
terça-feira, 19 de janeiro de 2010
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